Deslizamento de terra: como antecipar a parada da operação
Três rodovias de acesso ao litoral norte de São Paulo foram interditadas no mesmo domingo por queda de barreira. A Mogi-Bertioga fechou nos km 77 e 98, a Oswaldo Cruz bloqueou no km 81 em Ubatuba, e a Tamoios teve interdição parcial no trecho da Serra Antiga.
O gatilho foi a chuva de 22 de fevereiro de 2026, com mais de 100 mm acumulados na região. Um homem de aproximadamente 50 anos desapareceu depois que um deslizamento atingiu sua propriedade no km 64 da rodovia Oswaldo Cruz, entre São Luiz do Paraitinga e Natividade da Serra. O mesmo temporal alagou cerca de 400 casas em Ubatuba e desalojou 15 famílias, por inundação e não por movimento de massa.
O deslizamento entra no relatório como evento súbito, mas o mecanismo físico tem duas velocidades. Na forma lenta, o que leva um maciço à ruptura é o acumulado de vários dias: a água infiltrada reduz a resistência do solo até o ponto em que a chuva seguinte, mesmo moderada, basta para o talude ceder. Na forma rápida, típica de encosta rasa e relevo escarpado, a própria chuva das últimas horas já é intensa o bastante para deflagrar o movimento, sem precisar de dias de saturação prévia.
Sem aviso a tempo de que aquele ponto específico vai atingir o limite, o deslizamento cobra em três frentes de uma vez:
- Vida: quem está no caminho da massa que desce. A equipe na frente de escavação, o motorista no trecho de serra, o morador na encosta abaixo do corte.
- Operação: o que depende daquele ponto para de funcionar. Lavra, circulação, linha de transmissão e acesso de manutenção param juntos, porque a mesma barreira derruba estrutura e bloqueia a estrada que levaria a equipe até ela.
- Orçamento: cada dia dessa interdição entra no custo do mês, somado à recuperação da encosta e à multa contratual que veio junto.
Desastres naturais custaram US$ 2,67 bilhões à América Latina no primeiro trimestre de 2026, e apenas 20% desse valor teve cobertura de seguro. Deslizamento entra nessa conta dentro de uma categoria agrupada: no Brasil, a Aon atribui os US$ 260 milhões de perdas do mesmo trimestre, em conjunto, a inundações, deslizamentos e tempestades convectivas, sem separação por perigo.
O deslizamento atravessa vários setores que operam sobre relevo, de mineração a concessão rodoviária, de ferrovia a transmissão de energia, e costuma se esconder na planilha de risco de cada empresa.
Ele aparece como atraso de terraplanagem, como desligamento não programado, como interdição de trecho, como aditivo de prazo, como sinistro patrimonial. A dor real fica espalhada por várias linhas de custo, então raramente aparece consolidada num único relatório com o nome "deslizamento" embaixo.
Neste artigo
- Como o deslizamento se forma no Brasil, no Chile, no México e na Europa.
- Como transformar chuva sobre encosta em risco calculado por ativo.
- O que o mesmo deslizamento impacta em cada setor, começando pela tabela que resume tudo.
- Mineração: o limiar de saturação que falta no protocolo de parada.
- Construção civil: entrar na temporada de chuva com o cronograma protegido.
- Rodovias: o ponto de barreira tem quilômetro e janela provável.
- Ferrovias: o trecho que vai interditar aparece antes do solo se mover.
- Transmissão e distribuição de energia: a torre em encosta e o acesso que some junto.
- Seguros: exposição por endereço melhora a precificação de deslizamento.
- O retorno do investimento ao antecipar o perigo.
- O método: três passos para aplicar a partir de amanhã.
- Onde isso vira decisão diária.
Como o deslizamento se forma no Brasil, no Chile, no México e na Europa
Deslizamento é o nome popular para movimento de massa: solo, rocha ou material de aterro que desce a encosta quando a força que puxa o material para baixo passa a resistência que o segura no lugar.
A água é o principal agente dessa virada, e ela age de duas formas ao mesmo tempo. Ao infiltrar, aumenta o peso da massa. Ao preencher os vazios do solo, eleva a poropressão, reduz a tensão efetiva entre as partículas e, com ela, a resistência ao cisalhamento que sustentava o talude.
O indicador que importa muda com a profundidade da ruptura. Em deslizamento profundo, o que pesa é a chuva acumulada ao longo de dias: um maciço já saturado rompe com um volume que, em solo seco, não teria efeito nenhum. Em deslizamento raso, comum em encosta escarpada com pouco solo, a intensidade da chuva das últimas horas já basta para deflagrar o movimento, com pouca ou nenhuma saturação prévia. O Cemaden usa exatamente essas duas janelas, de 1 a 72 horas de chuva antecedente, para calcular o momento crítico de deslizamento no litoral paulista, a mesma região do evento que abre este artigo. A i4sea segue o mesmo princípio, mas sem limiar único para o país inteiro: a metodologia varia por região, calibrada pelo solo, pela declividade, pelo histórico de ocorrências, pela cobertura vegetal e pelas obras existentes naquele ponto, entre outros fatores.
Brasil: o relevo de serra concentra o risco em faixas estreitas de rodovia, ferrovia, dutos e linha de transmissão, onde um único corte instável tira de operação o acesso inteiro de uma região. Foi esse o padrão do evento de 22 de fevereiro de 2026 no litoral norte de São Paulo, que abre este artigo.
Chile: os sistemas frontais do Sul do país chegam associados a rios atmosféricos, que despejam volume alto em poucas horas sobre encostas já úmidas, o retrato da forma rápida descrita acima. Em 7 de julho de 2026, um sistema frontal com rio atmosférico de categoria 4 atingiu Valdivia, na região de Los Ríos, com previsão de mais de 100 mm. Houve deslizamentos em setores costeiros e a Ruta T-450, que liga Valdivia a Corral, foi cortada.
México: a temporada de chuva e ciclones tropicais castiga o relevo montanhoso do centro-leste. Em junho de 2026, o estado de Hidalgo registrou 28 quedas de barreira, 33 estradas com ocorrência e sete pontes danificadas ou fechadas, distribuídos por 14 municípios, com localidades rurais isoladas. No mesmo período, a rodovia federal México-Toluca foi danificada nas proximidades de Contadero.
Europa: o dano maior aparece onde a chuva persistente encontra encosta já instável. Em Niscemi, na Sicília, o temporal que atingiu o sul da Itália a partir de 18 de janeiro de 2026, associado ao ciclone Harry, deflagrou um movimento de massa com frente de ruptura de pelo menos 4 km e recalque de cerca de 6 metros na estrada provincial SP10. Duas provinciais fecharam, a ligação com a rodovia estadual Gela-Catania ficou bloqueada e cerca de mil moradores foram evacuados.
Quatro regiões, quatro geologias, o mesmo mecanismo físico: água acumulada que reduz a resistência do maciço até o ponto de ruptura. É por isso que antecipar a chuva acumulada sobre encosta serve para qualquer operação assentada sobre relevo, em qualquer um desses mercados.
Como transformar chuva sobre encosta em risco calculado por ativo
Duas operações recebem a mesma chuva de três dias. A que sabe qual dos seus taludes vai chegar ao limite, e em qual janela, recua a frota, reprograma a frente de serviço e mantém o resto da malha operando. A outra paga o improviso. Na prática, a diferença aparece em máquina retirada da cava antes do evento, equipe de desobstrução posicionada no quilômetro certo na véspera e frente de terraplanagem remarcada sem hora extra.
Chuva acumulada sobre encosta é o perigo. Interdição, desligamento e acidente são o risco. Entre os dois existem fatores que multiplicam ou reduzem o impacto, e são eles que decidem se a mesma saturação derruba uma barreira numa área sem ninguém por perto, ou derruba o corte que sustenta o único acesso à subestação. A i4sea segue três camadas para fazer essa conversão.
Camada 1, os dados. A base é o histórico de 10 anos de dados do modelo proprietário com resolução de 1 a 3 km para toda a América Latina, calibrado e otimizado para o clima local. Onde a previsão pública trata toda a serra como um único ponto de cerca de 25 km, a leitura da i4sea é mais de 5 vezes mais fina, e o limiar de cada talude cadastrado é calibrado com o histórico daquele ponto.
Camada 2, a interação com o território e com o negócio. O mesmo volume de chuva não produz o mesmo resultado em dois pontos diferentes. A leitura cruza o perigo com:
- Declividade e geometria da encosta: ângulo, altura e forma do corte ou do aterro naquele ponto.
- Tipo de solo e uso do solo: material argiloso, aterro mal compactado e superfície impermeabilizada respondem de formas distintas ao mesmo acumulado.
- Cobertura vegetal: raiz viva amarra o solo superficial; encosta desmatada ou queimada perde essa amarração e escoa mais água para dentro do maciço.
- Saturação prévia: em ruptura profunda, o acumulado dos dias anteriores define quanto de chuva nova aquele talude ainda suporta. Em encosta rasa, a intensidade das últimas horas pesa mais do que o acumulado, então o mesmo talude carrega dois limiares diferentes: um por duração, outro por intensidade.
- O que está no caminho da massa que desce: uma barreira que cai em área sem atividade humana ou econômica não gera risco de negócio. A mesma barreira caindo sobre a pista, a via permanente, a estrutura ou o pátio com gente trabalhando gera.
- O que depende do ponto atingido: quanto mais gente, ativo e receita passam por aquele trecho específico, maior o risco, mesmo com o perigo climático idêntico.
A instrumentação geotécnica entra como camada complementar, e cada uma responde a uma pergunta diferente:
- O que a instrumentação responde: condição estrutural e deslocamento já iniciado. Sondagem, laudo de estabilidade, inclinômetro, piezômetro e radar de solo sustentam a decisão de engenharia.
- O que a leitura climática responde: o acumulado previsto naquele ponto, o cruzamento com o limiar que já levou aquele maciço ao limite e quantas horas a equipe tem para agir.
Somadas, as duas transformam retrato estrutural em janela de decisão.
Camada 3, a matriz de risco. A i4sea conecta o índice daquela ameaça, a intensidade e a janela do perigo no ponto exato, com o impacto que aquilo causa naquele negócio específico. Essa conexão é o que transforma "vai chover forte na região" numa leitura de risco calculada por ativo, pronta para decisão.
São essas três camadas que sustentam os quatro ganhos que a operação sente: menos custo, menos exposição de vidas, equipe alocada onde o risco está e planejamento fechado antes do evento.
O que o mesmo deslizamento impacta em cada setor
A física é a mesma. O ativo que cede, o indicador que sofre e quem assina embaixo mudam completamente.
Tabela 1 · O que o deslizamento cobra por setor
| Setor | O que a encosta compromete | Onde a conta aparece |
|---|---|---|
| Mineração | Talude de cava, pilha de estéril, acesso e correia interna | Parada não planejada, escoamento perdido |
| Construção civil | Corte, aterro, frente de terraplanagem, contenção | Dia de atraso, aditivo de prazo, risco à vida |
| Rodovias | Barreira sobre a pista, talude marginal, ponte de acesso | Interdição, SLA de concessão, acidente |
| Ferrovias | Talude de corte, plataforma da via, trecho remoto | Hora de via parada, efeito cascata na malha |
| Energia T/D | Torre em encosta, faixa de servidão, estrada de acesso | Desligamento, continuidade, equipe emergencial |
| Seguros | Sinistro patrimonial concentrado por endereço | Precificação, provisão, regresso |
Mineração: o limiar de saturação que falta no protocolo de parada
Comece pelo resultado. Uma mina que sabe na segunda-feira que o setor norte da cava atinge o limite de saturação na madrugada de quinta recua a frota, reprograma a manutenção e avisa a ferrovia interna com dias de folga. Uma mina que descobre quando o talude já se move paga a evacuação, a recuperação e o embarque perdido de uma vez.
Uma parada não antecipada em mineração custa entre US$ 150 mil e US$ 500 mil por evento, com ROI esperado de 25 a 50 vezes para quem antecipa, na estimativa da i4sea por setor. O custo é alto porque a cadeia é longa: para a frente de lavra, para a correia, para a ferrovia interna, atrasa o embarque no terminal e reprograma o navio que já estava a caminho.
O deslizamento tem três endereços distintos na mina, e três consequências financeiras diferentes: o talude de cava, a pilha de estéril e o entorno de barragem. Os três reagem ao mesmo gatilho físico, o aumento de poropressão pela água acumulada, e os três costumam ser registrados na planilha em rubricas separadas, o que dilui o tamanho real do problema.
Chamar o evento de força maior tem um efeito colateral que raramente é discutido em comitê: a investigação encerra junto. Quando o evento entra como imprevisível, ninguém pergunta qual foi o acumulado dos sete dias anteriores, ninguém verifica se aquele setor da cava já tinha histórico de saturação no mesmo período do ano, e o aprendizado não acontece. A conta reabre na próxima temporada de chuva, com o mesmo talude.
O caminho oposto começa por cadastrar cada talude crítico como ativo monitorado, com coordenada, geometria e o acumulado de precipitação que já o levou ao limite. A partir daí, o alerta deixa de ser meteorológico e passa a ser operacional: risco alto de saturação no setor X, janela provável, recuar frota e acionar manutenção preventiva com antecedência de dias.
Construção civil: entrar na temporada de chuva com o cronograma protegido
Na mina o ativo comprometido é o próprio talude. Na obra, o que a chuva ataca é o cronograma, e o cronograma é o que sustenta o contrato.
Um dia de atraso em grande obra custa entre US$ 50 mil e US$ 150 mil, com ROI esperado de 10 a 15 vezes para quem antecipa. Multiplicado por uma temporada de chuvas numa obra linear em relevo acidentado, o número sai da rubrica operacional e vira estrutural.
Em obra de grande porte, o deslizamento raramente aparece com esse nome. Ele aparece como atraso de terraplanagem, retrabalho de contenção, pleito de aditivo de prazo, acidente com equipe em corte ou aterro. A causa climática se dissolve nas rubricas antes de alguém somá-la.
Quem quer sustentar pleito de prazo por evento climático precisa provar duas coisas ao mesmo tempo: que o evento ocorreu e que a empresa agiu com diligência diante do que era previsível. Sem registro de alerta, decisão e ação, o pleito vira palavra contra palavra com o contratante e com a seguradora.
O que muda a posição da construtora é o registro. Cada alerta emitido, cada decisão de suspender frente de escavação, cada mobilização preventiva fica gravado com horário, fonte de dado e responsável. O mesmo documento protege a equipe, negocia o aditivo e instrui o sinistro.
Rodovias: o ponto de barreira tem quilômetro e janela provável
Concessionária de rodovia raramente precisa ser convencida de que deslizamento é gerenciável. O protocolo existe, o centro de controle operacional existe, a equipe de campo existe. O que muda o custo é a antecedência com que o protocolo dispara, porque o gatilho que a operação recebe é regional e o risco é pontual.
Em relevo de serra, a escala já está medida. Segundo levantamento do DNIT sobre o evento de maio de 2024 no Rio Grande do Sul, um segmento de 24 km da BR-470/RS registrou mais de uma centena de pontos de queda de barreira, com 8 pontos de destruição completa da pista, e a BR-116/RS chegou a 26 bloqueios totais ou parciais no mesmo evento.
O efeito não fica na malha. A Sondagem CNT de Resiliência Climática apontou que 70,6% das empresas de transporte tiveram perdas financeiras por eventos climáticos nos últimos cinco anos, e quase uma em cada quatro reportou prejuízo acima de R$ 1 milhão.
Para quem já tem protocolo, a diferenciação está em três pontos concretos:
- Gatilho por quilômetro, e não por região. Saber que o risco está no km 223, e não na cidade vizinha, é a diferença entre mobilizar uma equipe e mobilizar dez.
- Acumulado quando a ruptura é profunda, intensidade quando é rasa. Um alerta que só olha o acumulado dos dias anteriores perde a encosta rasa que rompe com a chuva das últimas horas, e um alerta que só olha a chuva de agora perde o talude que já estava saturado antes de chover hoje.
- Registro para o poder concedente. A trilha de decisão sustenta a conversa de disponibilidade e reequilíbrio com muito mais força do que um print de aplicativo de previsão.
Ferrovias: o trecho que vai interditar aparece antes do solo se mover
Na rodovia o veículo desvia. Na ferrovia não existe desvio, e a via bloqueada para toda a operação atrás dela.
Ferrovia é o setor mais maduro desta lista. O uso de limiar de chuva para restringir circulação já é prática corrente, e já existe instrumentação com inteligência artificial atendendo grandes operadoras brasileiras. A pergunta do cliente ferroviário deixou de ser se a antecipação funciona e passou a ser em que a camada climática se soma ao que ele já tem.
A resposta começa pelo custo do erro. Uma interdição ferroviária custa entre US$ 50 mil e US$ 200 mil por dia de via parada, com ROI esperado de 10 a 20 vezes para quem antecipa.
Sensor, radar e InSAR medem o deslocamento em curso, com alta precisão e no momento em que a janela de decisão já encolheu. A previsão hiperlocal antecipa a chuva que vai deflagrar esse movimento, e cobre trechos remotos onde não existe hardware instalado em cada quilômetro. As duas camadas juntas cobrem a linha do tempo inteira do evento.
O outro ganho está no formato da saída. O centro de controle opera com probabilidade de interdição por trecho, com janela e ação recomendada, no nível do talude cadastrado.
Transmissão e distribuição de energia: a torre em encosta e o acesso que some junto
Na ferrovia o deslizamento para a circulação. Na rede elétrica ele derruba o ativo e, no mesmo movimento, bloqueia a estrada que levaria a equipe até ele.
Quase metade dos desligamentos em linhas de transmissão no Brasil tem origem em eventos climáticos, segundo levantamento setorial. O custo de um evento não antecipado em energia é estimado em US$ 40 mil por dia, com ROI esperado de 6 a 12 vezes, e esse valor ainda não captura o impacto nos indicadores regulatórios de continuidade, que é onde o resultado realmente dói.
Em transmissão e distribuição, o deslizamento é contabilizado sob outro nome: desligamento. A torre está numa encosta, a faixa de servidão corta relevo instável, o acesso da equipe de manutenção depende de estrada de terra em cota alta, e o mesmo acumulado compromete os três ao mesmo tempo.
Para quem já monitora clima, o ganho está em encadear três decisões que hoje são tomadas separadamente:
- Exposição do ativo: qual torre está em trecho de encosta com histórico de instabilidade, cadastrada com coordenada e não com nome de município.
- Acesso da equipe: o mesmo acumulado que ameaça a estrutura também bloqueia a via de acesso, e isso muda onde a equipe deve estar posicionada antes do evento.
- Janela de manutenção preventiva: a intervenção em faixa de servidão custa muito menos quando é programada do que quando é emergencial.
O resultado é alocação preventiva de equipe e proteção da disponibilidade, com o alerta chegando no canal em que o centro de operação já trabalha, de WhatsApp e e-mail a Teams.
Seguros: exposição por endereço melhora a precificação de deslizamento
O ativo em encosta fecha o ciclo de quem sofre o deslizamento. O setor de seguros olha o mesmo evento do outro lado da mesa, e chega à mesma conclusão por outro caminho.
Quem lê exposição por endereço, com histórico calibrado ao ponto, subscreve com menos margem de erro e negocia melhor a provisão. Duas propriedades a poucos quilômetros de distância, uma no pé de uma encosta com histórico de ruptura e outra fora do alcance da massa, caem na mesma célula de 25 km de um modelo público e recebem a mesma nota. O modelo atuarial médio não enxerga essa diferença.
Para a seguradora, o custo de um único sinistro climático mal dimensionado pode ultrapassar US$ 1 milhão, com ROI esperado de 25 a 60 vezes sobre a capacidade de antecipar.
O contexto brasileiro amplifica o problema. Apenas 9% das perdas climáticas do país são cobertas por seguro, contra 20% a 55% em países desenvolvidos, e no Norte e Nordeste a cobertura pode ficar abaixo de 2%. Em 2024, 58% das indenizações climáticas foram do ramo patrimonial, justamente o ramo em que estrutura, encosta e contenção definem o dano.
Subscrição: risco físico por ativo, com resolução compatível com o endereço segurado, muda a precificação de aproximação genérica para leitura específica. Regresso e sinistro: quando o segurado tem registro de alerta, decisão e ação, a discussão de negligência passa a ter evidência de diligência, com horário e fonte.
Empresa que demonstra gestão ativa de risco climático, com registro das decisões tomadas antes de cada evento, chega à renovação com evidência em vez de narrativa. O mesmo registro por ativo organiza o disclosure no padrão IFRS S2, hoje em regime voluntário no Brasil, sem trabalho manual adicional.
O retorno do investimento ao antecipar o perigo
Nenhum sistema evita o deslizamento. O que muda é o custo de lidar com ele.
Rodovia em serra. Antes da i4sea, o método de previsão mais confiável que esse cliente de rodovia em relevo de serra usava enxergava apenas 13% dos deslizamentos de terra. Na prática, 87% dos eventos pegavam a operação de surpresa, e a decisão de interditar ou liberar o trecho vinha depois do talude já ter cedido. Com a leitura climática por talude e por trecho, e não por boletim regional, esse cliente passou a antecipar 22 dos 24 deslizamentos monitorados, um salto de 13% para 92% de acerto. Restam 2 casos sem aviso, contra os 87% que ficavam invisíveis antes. Nenhum modelo climático prevê 100% de um evento natural, e vale desconfiar de quem promete isso: o que muda o jogo é o tamanho do ponto cego. A pergunta que importa não é se ainda existe risco, mas quanto desse risco você está gerenciando hoje.
A lógica que sustenta esse ganho tem validação acadêmica independente. Um working paper do NBER mediu que a melhoria na precisão das previsões de furacão nos Estados Unidos entre 2007 e 2020 economizou cerca de US$ 5 bilhões por furacão em danos e gastos de emergência, uma redução de 19% no custo total. O furacão continuou acontecendo. A qualidade da preparação é o que mudou.
Segundo o NIST, um plano feito com 2 horas de antecedência custa de 3 a 5 vezes mais do que o mesmo plano feito com 48 horas.
É o mesmo princípio do deslizamento: a encosta vai receber a chuva de todo jeito, o que varia é quanto você paga por não ter se preparado.
O método: três passos para aplicar a partir de amanhã
Estes passos funcionam com planilha, com sistema próprio ou com fornecedor. Nenhum deles depende de contratar a i4sea.
1. Cadastre os cinco ativos que mais expõem a sua operação, com coordenada e limiar. Escolha os cinco pontos em que uma interdição não planejada dói mais: talude de cava, corte em trecho de serra, plataforma de via, torre em encosta ou frente de terraplanagem. Para cada um, registre a coordenada exata, a geometria da encosta, o histórico de eventos anteriores naquele ponto e os dois limiares de chuva que já levaram aquele ponto à ruptura: o acumulado de dias e a intensidade de curto prazo. Esse último dado quase sempre já existe na cabeça de alguém da manutenção e nunca foi escrito. Escreva.
2. Amarre cada nível de risco a uma ação, um responsável e um custo. Um limite sem dono não vira decisão. Para cada ativo, defina três níveis de risco e amarre a cada um quem é acionado, qual equipe mobiliza, qual restrição entra em vigor, qual desvio abre, quanto custa executar essa ação e quanto custa não executar. "Acumulado de 120 mm em 72 horas previsto para o km 223" precisa virar "Fulano posiciona a equipe de desobstrução na véspera às 14h". Feita uma vez, essa tabela transforma decisão sob pressão em procedimento.
3. Registre previsão, decisão e desfecho, inclusive quando nada acontece. O registro dos eventos em que você agiu e nada aconteceu calibra o limiar e evita interdição preventiva em excesso, tanto quanto o registro dos eventos em que você não agiu e algo aconteceu. Em seis meses esse arquivo vira base de calibração, evidência para contrato e seguro, e insumo para o reporte de exposição climática por ativo.
O ganho dos três passos é o mesmo nos seis setores: o custo estruturalmente menor da preparação substitui o custo da reação.
Onde isso vira decisão diária
Um limiar de saturação escrito em procedimento só protege a operação quando o time recebe o aviso a tempo, no canal que já usa, com a ação recomendada junto.
O Agente Climático de IA entrega ao time a decisão pronta antes do evento: qual talude, qual janela, qual ação. Ele já conhece os ativos cadastrados, os limiares e o histórico da sua operação, chega no canal que o time já usa, WhatsApp, Teams ou e-mail, e registra em cada resposta a fonte do dado que a gerou.
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Se você prefere começar pelo diagnóstico, mapeamos os perigos climáticos dos seus ativos e mostramos o que o sistema veria hoje, com dados reais.
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O próximo talude já está acumulando água. As horas de aviso que sua operação teve, e o que ela fez com elas, é o que decide o custo da próxima interdição.
Fontes
Aon, via Revista Cobertura: desastres naturais custaram US$ 2,67 bi à América Latina no 1º trimestre de 2026, 20% segurado; Brasil com US$ 260 milhões em perdas (inundações, deslizamentos e tempestades convectivas agregados).
Cemaden: pesquisa publicada no International Journal of Geosciences sobre as duas velocidades de deslizamento (ruptura profunda por acumulado, ruptura rasa por intensidade) e janelas de 1 a 72 horas de chuva antecedente no litoral paulista.
CNN Brasil: evento de 22/fev/2026 no litoral norte de SP.
El Desconcierto: Chile, Valdivia (Los Ríos), 7/jul/2026, rio atmosférico categoria 4.
Infobae, 14/jun/2026: México, Hidalgo, jun/2026, 28 quedas de barreira.
Dipartimento della Protezione Civile, Protezione Civile della Regione Siciliana, Il Sole 24 Ore: Niscemi (Sicília, Itália), jan/2026, ciclone Harry.
DNIT (via levantamento setorial): BR-470/RS e BR-116/RS, evento de maio de 2024 no Rio Grande do Sul.
Sondagem CNT de Resiliência Climática (nov/2025): 70,6% das empresas de transporte com perdas financeiras por eventos climáticos em 5 anos.
Molina, R. e Rudik, I., "The Social Value of Hurricane Forecasts", NBER Working Paper 32548 (2024). nber.org/papers/w32548
Radar de Eventos Climáticos e Seguros no Brasil, CNseg/EY (nov/2025): 9% das perdas climáticas do país cobertas por seguro, 58% das indenizações de 2024 no ramo patrimonial. PDF oficial
Fonte: i4sea, dados proprietários (modelo de 1 a 3 km de resolução para a América Latina, calibrado com mais de 10 anos de histórico climático).
Fonte: caso real de cliente de rodovia em relevo de serra, dados fornecidos diretamente pelo Mateus (CEO), nome do cliente não publicado por instrução dele.