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Super El Niño 2026/27: o alerta de 95% da NOAA e a janela para decidir

Mateus Lima
Mateus Lima

CEO

8 min de leitura
Super El Niño 2026/27: o alerta de 95% da NOAA e a janela para decidir

95%.

Essa é a probabilidade que a NOAA/CPC atribui a um El Niño de intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026, com persistência até 2027 (Olhar Digital, 13/ago/2026). Deixa eu repetir esse número: noventa e cinco por cento.

Não é manchete de pânico. É um dado de probabilidade, publicado por uma agência científica, com metodologia auditável. O trabalho de quem decide não é reagir ao número com medo. É perguntar: o que eu faço com essa informação nos próximos 90 dias?

Este texto responde isso. Sem apocalipse. Com método.

O que mudou entre julho e agosto (e por que isso é um gatilho, não uma sentença)

Em 10 de julho de 2026, a probabilidade de El Niño forte estava em 81% (MCTI). Em 13 de agosto, subiu para 95% (Olhar Digital). Em cinco semanas, a confiança do modelo aumentou 14 pontos percentuais.

O INMET foi além: classificou o evento como possível El Niño mais intenso desde 1950 (14/ago/2026).

Em linguagem de gestão de risco, isso é o seguinte: quando a probabilidade de um evento sobe de forma consistente ao longo de semanas, ela deixa de ser "possibilidade distante" e vira gatilho de decisão. Não significa que o desastre está garantido. Significa que a janela para se preparar está se estreitando, e que agora existe base estatística sólida para agir.

Você não controla o clima, mas pode gerenciar os riscos. E gerenciar risco começa exatamente no momento em que a probabilidade cruza um limiar que justifica ação, não no momento em que o evento já está na porta.

O Brasil não sente El Niño de um jeito só

Aqui está o ponto que mais gera decisão errada: tratar "El Niño" como um evento único, nacional, uniforme. Não é. O fenômeno se comporta de forma diferente em cada região do país, e cada comportamento tem uma cadeia de consequência econômica distinta.

G1 (09/ago/2026) e BBC Brasil (08/ago/2026) sintetizam o quadro: cientistas preveem secas, calor e chuvas torrenciais em grandes partes da América Latina durante 2026 e 2027. Três fenômenos opostos, ao mesmo tempo, em regiões diferentes do mesmo país.

Sul: mais chuva, mais risco de alagamento

O INMET confirmou, em 14 de julho de 2026, que o El Niño já começa a influenciar as chuvas no Sul, fortalecendo os jatos de baixos níveis que transportam umidade para a região. G1 (07/jun/2026) já apontava o padrão histórico do fenômeno no Brasil: mais chuva no Sul, seca no Norte e Nordeste.

Para quem opera porto, ferrovia ou logística no Sul, isso não é novidade climática. É sinal de que o padrão de chuva torrencial que já causou tragédias recentes na região tende a se repetir, com o agravante de estar ligado a um evento de intensidade rara.

Norte: rio baixo, indústria em alerta

Este é o ponto mais crítico para quem depende da Zona Franca de Manaus. O Valor Econômico (31/jul/2026) resumiu em uma frase: El Niño reacende o risco de bloqueio do rio Amazonas. Seca gera temor na Zona Franca de Manaus e embate entre grupos de navegação e indústria.

Os números por trás da frase:

A Autoridade Marítima já emitiu, em julho de 2026, restrições de calado de cerca de 8,00 metros no rio Amazonas. As indústrias do Polo Industrial de Manaus foram formalmente orientadas a antecipar a chegada de insumos (SIMMMEM, 03/jun/2026). A hidrovia do rio Madeira, principal canal de integração da Zona Franca com o restante do país, está em recuo desde abril (SIMMMEM, 09/abr/2026).

Isso já aconteceu antes. A seca de 2023 deixou impacto devastador no Polo Industrial de Manaus (Guia Marítimo, fev/2024). A diferença, agora, é que existe alerta de 95% de probabilidade com meses de antecedência. Em 2023, a decisão foi tomada sob pressão do evento já instalado. Em 2026, existe janela para decidir antes.

Centro-Oeste: calor que não é sensação, é registro

Em 10 de agosto de 2026, o Centro-Oeste registrou temperaturas acima de 41°C, com umidade relativa muito baixa. Julho de 2026 foi o segundo julho mais quente já registrado, com temperatura média do ar 1,47°C acima do período pré-industrial (ClimaInfo, 11/ago/2026).

Calor extremo e umidade baixa formam a combinação que sustenta incêndio. E o dado de fogo confirma: a área queimada no Pantanal de Mato Grosso do Sul cresceu 770,7% entre 1º de janeiro e 15 de julho de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O INPE registrou 5.209 detecções de foco de fogo ativo só em junho de 2026 (Boletim Infoqueima, 23/jul/2026).

Estudo da i4sea, noticiado pela Agência Brasil (jul/2026), projeta que o Brasil pode chegar a 127 dias de calor extremo por ano até 2075. O Centro-Oeste de 2026 não é uma anomalia isolada. É uma amostra do que a série histórica já indicava.

O custo não é um número. É uma cadeia

Cada uma dessas três dores regionais vira custo econômico por um caminho diferente, e os três caminhos se cruzam na mesma cadeia de suprimento nacional.

Seca no Norte trava rio, atrasa insumo, para linha de produção na Zona Franca. Chuva torrencial no Sul atrasa porto, gera fila de navio, aumenta demurrage. Calor e fogo no Centro-Oeste ameaçam safra, pastagem e infraestrutura de energia.

O Brasil já perdeu R$ 184 bilhões em prejuízos climáticos entre 2022 e 2024 (CNseg/EY, apresentado na COP30 2025), uma média de R$ 60 bilhões por ano. Desse total, 91% das perdas climáticas não tinham cobertura de seguro. A conta, na maior parte das vezes, é paga pela própria empresa, sem rede de proteção.

No setor portuário, o custo de demurrage nos portos brasileiros chegou a US$ 2,3 bilhões em 2024, 15% a mais que em 2023 (Bain & Company/Valor Econômico, abr/2025). Antecipar o evento custa menos do que reagir a ele. Esse número existe justamente porque, na maioria dos casos, a reação chegou depois do evento, não antes.

A janela para decidir: o que 90 dias de antecedência permitem fazer

Aqui está a diferença que separa quem gerencia risco de quem sofre o risco.

Com 3 a 6 meses de antecedência, uma operação consegue: precificar o risco físico por ativo, não por região genérica. Renegociar janelas operacionais com clientes e fornecedores antes que a restrição vire crise. Revisar níveis de estoque, especialmente para operações dependentes de insumo importado por via fluvial, como o Polo Industrial de Manaus. Calibrar plano de contingência específico para cada ativo, seja porto, mina, usina ou fazenda, e não um plano genérico de "clima extremo".

Com 48 horas de antecedência, sobra pouco: acionar plano de emergência, informar cliente do atraso, contabilizar o prejuízo depois de ele acontecer.

A diferença entre essas duas janelas não é sorte. É decisão de quando você começa a olhar o dado.

Por que inteligência climática não é a mesma coisa que previsão do tempo

Este é o ponto técnico que separa gestão de risco real de intenção de gestão de risco.

Previsão do tempo pública trabalha com resolução de aproximadamente 25 km. Isso é suficiente para saber se vai chover na cidade. Não é suficiente para saber se o calado do rio na altura do seu terminal vai cair abaixo do limite operacional do seu ativo específico.

O i4cast, produto da i4sea, trabalha com resolução de 1 a 3 km, cobre 18 perigos hidrometeorológicos distintos e é calibrado sobre mais de 10 anos de reanálise proprietária, hoje monitorando mais de 100 ativos na América Latina e Europa. A diferença não é só técnica. É decisória: um boletim fala de região. Um sistema de inteligência climática fala do seu ativo, com o limiar operacional do seu ativo.

Previsão do tempo não é inteligência climática. E confundir as duas custa caro.

Três exemplos de quanto isso vale quando aplicado:

A Santos Brasil reduziu o tempo médio de espera de navio de 7 para 3 dias, com R$ 105 milhões por ano em receita adicional e 100% de segurança climática nas operações monitoradas (master deck i4sea).

O Puerto Mejillones, no Chile, registrou 426 alertas no primeiro trimestre de 2026, com ROI de 20 para 1 e US$ 305 mil por ano em benefício direto (master deck i4sea).

A Capstone, no Puerto Barquito, evitou custo de 7 dígitos em dólares por ano, com antecipação de 48 a 72 horas antes do evento (master deck i4sea).

Onde a maioria vê imprevisto, a gente vê variável de gestão.

O que fazer com o alerta de 95%, na prática, esta semana

Não é hora de pânico. É hora de checklist.

Se sua operação depende de rio no Norte, verifique agora o calado projetado para os próximos 90 dias no seu ponto de operação específico, não a média da bacia. Se sua operação está no Sul, revise o plano de contingência para chuva torrencial com o limiar real do seu ativo, não um genérico de manual. Se sua operação está no Centro-Oeste, avalie exposição a calor extremo e risco de incêndio na sua cadeia de fornecimento, incluindo terceiros.

E se você ainda não sabe responder com número qual é a exposição real da sua operação a essas três dores, esse é exatamente o ponto de partida.

El Niño não é apocalipse. É variável de gestão.

A NOAA deu 95% de probabilidade. O INMET deu o contexto histórico. Os dados regionais já mostram onde o risco vai aparecer primeiro: rio no Norte, chuva no Sul, calor e fogo no Centro-Oeste.

A janela para decidir está aberta agora, não em outubro quando o fenômeno já estiver instalado.

A i4sea está oferecendo um diagnóstico gratuito de risco climático (i4climate) para mapear a exposição do seu ativo aos perigos deste El Niño, com dado calibrado para a sua operação, não para a média da sua região. .

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Também é possível testar o Agente Climático de IA, o copilot conversacional que responde, em linguagem simples, qual é o risco do seu ativo nos próximos dias

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Posts relacionados:

Fontes

  1. NOAA/CPC, probabilidade de 95% de El Niño muito forte (out-dez/2026): Olhar Digital, 13/ago/2026. https://olhardigital.com.br/2026/08/13/ciencia-e-espaco/el-nino-chance-de-fenomeno-forte-nos-proximos-meses-e
  2. MCTI, probabilidade de 81% em 10/jul/2026: https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/noticias/noticias-julho-outubro-2
  3. INMET, El Niño possivelmente o mais intenso desde 1950, 14/ago/2026. https://portal.inmet.gov.br/noticias/segundo-a-noaa-el-ni%C3%B1o-pode-ser-o-mais-intenso-desde-1950
  4. G1, efeitos do Super El Niño, 09/ago/2026. https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/08/09/os-graves-efeitos-do-super-el-nino-n
  5. BBC Brasil, 08/ago/2026. https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3v01yx9574o
  6. G1, efeito regional do El Niño no Brasil, 07/jun/2026. https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/06/07/apos-tragedias-recentes-novo
  7. INMET, El Niño e chuvas no Sul, 14/jul/2026. https://portal.inmet.gov.br/noticias/el-ni%C3%B1o-come%C3%A7a-a-influenciar-as-chuvas-no
  8. Valor Econômico, risco de bloqueio do rio Amazonas, 31/jul/2026. https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/07/31/el-nino-reacende-risco-de-bloqueio-do-
  9. SIMMMEM, indústrias de Manaus antecipam insumos, 03/jun/2026. https://www.simmmem.org.br/industrias-de-manaus-antecipam-insumos-para-enfrentar
  10. SIMMMEM, recuo na hidrovia do Madeira, 09/abr/2026. https://www.simmmem.org.br/recuo-na-hidrovia-do-madeira-afeta-logistica-da-zona-franca-de-
  11. Guia Marítimo, impacto da seca de 2023 no Polo Industrial de Manaus, fev/2024. https://www.guiamaritimo.com.br/noticias/comercio-exterior/seca-historica-na-amazonia-e-impactos-no-polo-industrial-de-manaus
  12. ClimaInfo, julho de 2026 como segundo julho mais quente já registrado, 11/ago/2026. https://climainfo.org.br/2026/08/11/calor-extremo-esta-se-tornando-mais-frequente-intenso-e-duradouro-alerta-agencia-da-onu/
  13. Agência Brasil, estudo i4sea sobre 127 dias de calor extremo até 2075, jul/2026.
  14. INPE, Boletim Infoqueima, 23/jul/2026. https://www.gov.br/inpe/pt-br/assuntos/ultimas-noticias/boletim-infoqueima-apres
  15. CNseg/EY, prejuízos climáticos no Brasil (2022-2024), COP30 2025.
  16. Bain & Company/Valor Econômico, demurrage nos portos brasileiros, abr/2025.
  17. Master deck i4sea: casos Santos Brasil, Puerto Mejillones e Capstone Puerto Barquito.
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